Experiências. O livro da Vida. Escola Ponce do León

Apresentação do Centro
O Centro Educativo Ponce de León é um centro de referência para a educação de pessoas surdas há mais de 40 anos. Neste tempo, transformamos nossa metodologia, espaços e recursos para poder responder a todas as necessidades do alunado surdo e suas famílias em um ambiente de inclusão real.

Em nossas aulas da educação infantil e primária realizamos um bilinguismo simultâneo em função de convivermos na sala de aula com crianças surdas e ouvintes, compartilhamos duas línguas: a Língua Oral Castelhana(LOC) e a Língua de Sinais (LSE), contamos com dois professores tutores (um deles referência em LOC e outro referência em LSE, especialistas emLSE, fonoaudiólogos/as e fisioterapeutas que facilitam o desenvolvimento da comunicação e do acesso ao currículo a partir de uma perspectiva de inclusão real, adaptando material, espaços, metodologias…

A metodologia dentro das salas de aula é ativa, focada na aprendizagem e motivação do alunado, com a realização de atividades baseadas no trabalho em equipe, no uso de espaços nos cantos e no trabalho por projetos de pesquisa.

A seguir, queremos apresentar um pequeno guia para “O Livro da Vida”, uma das experiências que realizamos em sala de aula e que faz parte do nosso dia a dia, pois o consideramos um recurso excepcional para promover a comunicação

“O LIVRO DA VIDA”
O livro da vida é um documento que acompanha o menino e a menina desde o início da sua escolaridade até que esta seja finalizada. Coleta experiências de momentos significativos de suas vidas (aniversários, férias, excursões, diversas atividades…) através de fotos, desenhos, legendas de fotos.
Durante o ano, permanecem na biblioteca da turma, para que todas as crianças tenham acesso a eles. De férias, os levam para casa para ampliá-lo e apreciá-lo como uma família.

É um documento que ajuda a fomentar o vínculo entre a família e a escola, uma vez que é elaborado conjuntamente.

O livro da vida cresce com a criança e a ajuda a evocar memórias, a sentir-se cada vez maior e a alegrar-se com a contemplação de suas fotos e histórias a narrar e se comunicar com seus companheiros e companheiras através das fotos mais significativas para eles/as, as de seus pais, irmãos, tios…, a levar para suas casas as fotos mais significativas dos momentos na escola, o dia de seu aniversário, da excursão…; portanto, ajuda-os/as a reconhecer a si mesmos e seus entornos sociais mais próximos.

Também os/as ajuda a ver, nomear e reconhecer seus amigos e amigas, a evocar memórias de alguns que não estão mais lá. É um instrumento de socialização porque eles também gostam de compartilhá-lo. Ajuda-os/as a se sentirem reconhecidos/as e amados/as, a se sentirem protagonistas únicos.
Deve ser um instrumento plastificado, uma vez que é manuseado continuamente, por isso devemos garantir que ele seja duradouro.

No centro, são dadas instruções e folhas às famílias para realizá-lo. Inicia-se a princípio ao longo dos 3 anos, quando eles/as começam a sua escolarização no centro. Os tutores entregam às famílias a pasta com os modelos a serem preenchidos, explicando-lhe conscienciosamente em linguagem escrita, linguagem oral e linguagem de sinais. São gravadas em vídeo explicações em LSE para famílias surdas. E, assim que o têm, levam para a sala de aula para que a criança possa compartilhá-lo com seus companheiros e companheiras.

Nesse sentido, temos a necessidade de chegar a todo nosso alunado, a nossas famílias surdas e todos aquelas e aquelas que tenham dificuldades no processo de alfabetização e que também podem precisar de apoio na comunicação para entender melhor o que se está transmitindo.

Por tudo isso, é necessário que adaptemos esse recurso e, para isso, realizamos uma série de ações focadas no objetivo de tornar a experiência acessível:

• Realizamos sessões de formação individual com cada família surda, nas quais o especialista em LSE participa quinzenalmente. Aqui trabalhamos aspectos relacionados ao uso do “Livro”, seu propósito e objetivo, e também o vocabulário, a gramática (adaptada aos seus conhecimentos prévios), e o uso de recursos e estratégias comunicativas com seu filho e filha.

Trabajo con la especialista LSE

• Em muitas ocasiões, registramos nossas explicações para que eles possam acessá-las e recorrer a elas quando precisarem.
•Todas as fichas são adaptadas com pictogramas, que são uma excelente ferramenta para melhorar as habilidades de comunicação das crianças. São imagens ou ícones que representam um conceito ou uma palavra de uma forma muito mais simples. São muito úteis para trabalhar alguns objetivos na aula, incluindo nosso “Livro da Vida”.


•Para que o alunado surdo possa explicar aos seus companheiros e companheiras no momento da assembleia os conteúdos de seu livro, trabalhamos anteriormente, com cada menino e menina, os conteúdos que irá contar. Esses apoios de comunicação são realizados por parte das tutoras, especialista em LSE e fonoaudióloga, nas horas de apoio organizadas dentro do cronograma, quando o grande grupo trabalha linguagem oral e, na aula, nos momentos de trabalho em pequeno grupo, onde são realizados os “Grupos de Trabalho”, atividades que permitem atender ao alunado de forma mais individual. Esses apoios são realizados tanto na linguagem oral quanto na língua de sinais. O papel do Especialista em LSE é fundamental, pois nos ajuda a trabalhar com alunos surdos e/ou alunos com dificuldades de linguagem, as noções comunicativas básicas (alternância de olhar, virada de fala, contato…)

• A fonoaudióloga trabalha no nível de produção oral e de discriminação auditiva todo o vocabulário que aparecerá no livro, com o apoio da Palavra Complementada (complementos manuais que acompanham a produção oral para facilitar a leitura labial em crianças surdas). Também trabalha na leitura global de imagens.
• Nas aulas também temos alunos que precisam de sistemas de comunicação ampliados, como os pictogramas, portanto, todas as folhas do nosso livro são adaptadas visualmente.

• O Livro da Vida está localizado dentro da nossa metodologia no trabalho de alfabetização e comunicação, através da abordagem construtivista, na qual os alunos são os próprios protagonistas de sua aprendizagem.

OBJETIVOS

• Ser um instrumento que favoreça a comunicação entre: • Os próprios meninos e meninas (ouvintes e surdas)
• Os meninos e meninas e suas famílias
• Os meninos e meninas e professores
• Facilitar a integração de meninos e meninas ao grupo de amigos.
• Favorecer a organização temporal e espacial, através de suas próprias vivências.
• Promover diferentes funções comunicativas.
• Criar nas famílias um vínculo de união, e uma aproximação à diversidade de alunos/as e de línguas que estão presentes em aula.
• Favorecer o desenvolvimento e identidade da criança surda e da criança ouvinte.

CONTEÚDOS
• Expressão de sentimentos e ideias próprias.
• Cuidado e respeito pelos materiais que consideram valiosos.
• Gosto e prazer de olhar e ouvir o que através de suas fotos vai sendo etiquetado ou narrado.
• Compreensão e produção em Língua de Sinais e na Linguagem Oral, de cenas que são vivenciadas por si mesmas.
• Organização e sequenciamento de diferentes cenas.
• Tempos verbais, diferentes estruturas sintáticas.
• Evocar objetos, fatos, eventos, incidentes, experiências… com uma linguagem cada vez mais elaborada

ACTIVIDADES DE AULA
Na assembleia:

• O período de adaptação é o momento mais propício para aproveitar esse instrumento, para conhecer os amigos e amigas e facilitar a união do grupo.
• Cada um pode pegar seu livro, evocando uma lembrança de sua família ou situações anteriores com um caráter afetivo para ele, transmitindo para os outros, ajudando-o a se sentir seguro e único.
• Cada um realizará essa atividade na língua que se sinta mais confortável, favorecendo entre outros aspectos, a expressão (oral e/ou de sinais), a comunicação, o compartilhamento, o colocar-se no lugar do outro, e a expressão de seus próprios sentimentos e emoções.

No canto da Biblioteca
• O livro da vida de cada menino e menina pode permanecer no canto da biblioteca para que todos possam desfrutá-lo vendo-o, lendo-o, contando aos outros, perguntando, compartilhando…

Em oficinas na aula
Organizamos oficinas com os pais e mães em que são feitas as páginas que correspondem à escola (fotos de saídas, projetos trabalhados, aniversários…) e para que apresentem, junto com seus filhos
e filhas, seu livro de vida.

CONCLUSÃO
“O livro da minha vida” é um grande instrumento de socialização. Depois de mais de uma década realizando-o nas salas de educação infantil, pudemos verificar que os meninos e as meninas gostam de mostrá-lo e compartilhá-lo com seus pares. À medida que crescem com eles, percebem que eles também crescem, diferenciando momentos em eram mais jovens ou bebês dos atuais, assim eles/elas se sentem maiores e capazes de fazer muito mais coisas (do tipo que os mais velhos/as fazem). Podemos observá-los/las mostrando emoções diferentes ao evocar memórias.
Descobrimos que eles/elas melhoram sua comunicação, tanto na linguagem oral quanto na língua de sinais, em termos de estrutura e vocabulário.

Para que esse projeto funcione, necessitamos que todos os/as profissionais da etapa da educação infantil estejam muito coordenados/as e sigam a mesma linha de trabalho. Também é muito importante ter uma relação muito próxima com as famílias, dando-lhes a confiança e o carinho necessários para que venham à aula para participar e contar suas experiências, pois “o livro da minha vida” é um documento que elaboramos juntos e seu êxito é assegurado quando todas as partes envolvidas colaboram no processo.

Mª Montserrat Pérez García.
Directora Pedagógica. mperezga@ponceleon.org

Mª Esther Herrero Benito
Chefe de Estudos. eherrero@ponceleon.org

Raquel Álvarez Calvo
Infantil e tutor de 3 anos. ralvarez@ponceleon.org

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