Tema. A árvore das avós. Infâncias, filiações e memória na Argentina

Introdução
A questão da memória e sua transmissão à primeira infância está se expandindo e adquirindo, após quarenta anos de democracia ininterrupta, uma relevância crescente para toda a América Latina, especialmente na medida em que, com seus diferentes graus de dificuldade, avanços e retrocessos, as democracias latino-americanas vêm consolidando décadas de governos democráticos.

Atualmente, em nossa região latino-americana, há quem aspire ao retorno da face mais sombria da sua história recente de ditaduras, interrupções dos governos eleitos pelo seu povo de forma autoritária, mas que são cada vez mais rejeitados. Portanto, a história do que aconteceu vem à tona todos os dias e os relatos testemunhais, os julgamentos filmados, os/as sobreviventes do terrorismo de Estado alimentam as memórias para que não se repita. E colocam um desafio importante para a educação infantil: a configuração de outro campo de intervenção sobre como narrar, relacionar, transmitir o passado no presente, não para replicar o horror, mas para ampliar o horizonte de direitos de nossas infâncias, o que inclui o direito à memória.

Portanto, na Argentina, justamente em um de seus principais estados, na província1 de Buenos Aires, realizamos uma experiência pedagógica a partir da gestão pública do Nível Inicial: a Árvore das Avós, que não é mais apenas uma experiência, mas uma política pública sólida e ampla sobre a transmissão de memórias voltadas para a primeira infância. Em 2023, comemorando o seu terceiro ano de implementação, esta foi ampliada, incluindo dimensões não previstas no início: a questão da formação de quem educa na história recente, a articulação com um conjunto de atores sociais fora da escola, o cultivo de árvores junto a milhares de meninas e meninos como uma experimentação do que nasce em contraponto aos extermínios: a participação comunitária, a inclusão de outros níveis e modalidades educacionais, entre outros.

Encontro da memória


A árvore das avós: memórias e infâncias

A gestão de Axel Kicillof na província de Buenos Aires, por meio de sua Direção de Cultura e Educação a cargo do professor Alberto Sileoni, estabeleceu um firme compromisso relacionado à defesa dos Direitos Humanos garantidos pela Lei Nacional de Educação do 2006. Nesse sentido, desde o início da gestão educativa atual no início de 2020, foi elaborado um projeto denominado: “El árbol de las abuelas. Itinerarios entre infancias y memoria” que se apresenta no presente texto. A. Sileoni, como ministro, afirma em relação ao projeto que: Plantar uma árvore de memória requer um trabalho artesanal que se explica com ternura em cada detalhe: desde a semeadura, passando pela distribuição de plantas, o adubo e o cultivo da terra, promovendo uma articulação poderosa entre níveis educativos do qual florescerão milhares de utopias. É nosso dever ético protegê-la dos ventos do esquecimento que sopram com força, resguardá-la dos que escamoteiam a verdade e a justiça e não baixar a guarda para que cresça robusta e se mantenha em pé, inalterável.

Essa questão faz parte de uma decisão política pedagógica e de uma série de perguntas: Como resolver a transmissão para meninas e meninos do mais traumático de nossa história? Como vincular o cultivo de uma árvore com o cultivo da memória? Será possível? E é a partir daí, desde as primeiras perguntas, sem certezas, que foram elaboradas inúmeras propostas para enriquecer memórias, infâncias e filiações por meio do cultivo da árvore de memória. O mais significativo é que a própria proposta tenha sido acolhida por olhares infantis e juvenis, e ela continue inscrita em um olhar freireano sobre as perguntas. Como uma simples pincelada, um breve relato: “Na criação de um jardim da infância público, mas popular por sua localização, como encerramento da festa que acontece ao abrir uma nova escola, as meninas e meninos – filhas e filhos de famílias produtoras de verduras – plantaram a Árvore da Memória e convidaram o governador. O mais significativo foram as perguntas infantis e o diálogo com a autoridade máxima do estado: “onde está a memória na árvore? tem boca, olhos? onde guardaria aquilo que recorda?” Esse diálogo que possibilitou outros, abre – e não esconde – verdades herméticas e escondidas, pelo contrário, habilita o pensamento e a curiosidade… tudo o que incomoda os governos autoritários.

Ji 934 Berazategui

Atualmente, esta proposta atinge mais de 3.500 instituições de ensino de nível inicial em toda a província de Buenos Aires, frequentadas por 422.000 meninas e meninos, atingindo áreas próximas e muito remotas – realidade comum a todos os nossos países.

Por sua vez, a Subsecretária de Educação, a cargo da professora Claudia Bracchi, afirma que: “essa iniciativa é uma daquelas em que o sistema educacional e a universidade trabalham juntos, o que constitui um acontecimento pedagógico muito significativo, uma oportunidade única de ensinar e cultivar a memória com meninas e meninos. E como qualquer evento pedagógico, não acontece num vazio social, mas sim num contexto extremamente auspicioso da vida democrática do nosso país e no qual a partir das nossas instituições de ensino nos preparamos para a tarefa de refletir, comemorar e celebrar os 40 anos de democracia ininterrupta.

No mesmo sentido, a Direção Provincial de Educação Inicial (DPEI), sob a responsabilidade da Professora Patrícia Redondo, foi quem idealizou e concretizou a proposta como forma de fortalecer uma política educativa em torno da pedagogia da memória. Diferentes propostas percorreram todo o território da província de Buenos Aires, chegando a cada escola infantil rural e insular, maternais, hortas comunitárias, creches rurais com matrícula mínima e centros infantis.

Neste âmbito, o projeto “A Árvore das Avós. Itinerários entre infâncias e memória” propõe o cultivo de uma árvore simbólica em cada instituição, a Árvore da Memória, juntamente com roteiros de leitura literária de histórias de avós. Pretende-se criar lugares onde circulem palavras e encontros e se construam memórias de infância compartilhadas e identidades coletivas, abrindo uma forma de estar onde possamos nos olhar e, acima de tudo, dar sentido ao que preocupa, ao que perturba, à inquietação, às perguntas e aos porquês, para vincular a infância à vida, à educação e à democracia.

Fundamentación
No âmbito da celebração dos 40 anos de democracia ininterrupta, este projeto surge como uma política educativa provincial (DGCyE, 2022) que visa educar para a memória e os direitos humanos na educação inicial ou infantil, para a construção da cidadania democrática a partir dos primeiros anos, como afirma Grau, “cidadania é infância, infância é cidadania”. Desse ponto de vista, importa pensar uma escola que assume o compromisso de constituir-se como “transmissora da memória” (HASSOUN, 1996), como participante de processos de constante construção e reconstrução da história recente. E, nessa condição, que também os jardins de infância, centros infantis de outros países possam abrigar, transformar e transmitir memórias no plural, fruto de histórias pessoais, familiares, de bairro, comunitárias, da região e do país.

JIRIMM 6 General Alvear

Neste sentido, o DPEI propôs trazer às meninas e aos meninos a possibilidade de cultivar uma árvore junto com roteiros pedagógicos de leitura em cada uma das escolas de educação infantil da província de Buenos Aires como forma de produzir uma passagem intergeracional de memórias. Assim, no âmbito dessa transmissão, multiplicam-se as cenas de colheita das sementes, de cultivo das mudas e de seu percurso pelas mãos dos/das professores/as para finalmente chegar às meninas e aos meninos das nossas instituições de ensino junto com as histórias das avós. Dessa forma, o cuidado dos primeiros brotos de cada jardim é acompanhado por diferentes propostas pedagógicas ligadas às famílias e comunidades. Configura-se um ato quase mágico que se reitera e se diferencia em cada ocasião com cada grupo de crianças. Multiplicam-se imagens de meninas e meninos plantando: o que eles plantam? Palavras e Memórias, histórias e transmissão, sementes e cultivo. Também infâncias e uma forma diferente de se relacionar com o conhecimento.

Educar a memória durante os primeiros anos do desenvolvimento de meninas e meninos é uma tarefa que deve ser considerada de forma sensível e cuidadosa. Nesse sentido, diferentes dimensões da memória entram em jogo no projeto. Por um lado, a memória ligada à história do nosso país, para que meninas e meninos a partir dos cinco anos possam iniciar o caminho de conhecer o nosso passado recente. Temas como o Golpe de Estado de 1976 e a Ditadura civil-militar representam uma complexidade que ultrapassa as possibilidades de compreensão cognitiva de meninas e meninos no Nível Inicial, embora venham a conhecê-los à medida que transitam por todo o sistema educacional. No entanto, a educação infantil propõe que as crianças maiores iniciem as primeiras abordagens a determinados aspectos desses temas, para que possam aprender a importância de viver em democracia e respeitar os direitos humanos, evitando sempre que as propostas de ensino se concentrem no horror e no crime (DGCyE, 14 de março de 2022): uma abordagem que se abra ao pensamento e aos valores democráticos. Assim, diferentes propostas pedagógicas acompanham o cultivo da Árvore da Memória e se articulam para trabalhar com meninas e meninos, reconhecendo e respeitando a singularidade das experiências sociais e culturais, valorizando as diferenças como atributos inerentes e relevantes das nossas sociedades, da liberdade e do exercício do direito de ter voz própria. Como resgatar, compartilhar e viver em comum a memória coletiva, a formação de identidades e uma relação desde as primeiras idades que fortaleça os laços familiares, sociais e comunitários?

Além disso, o projeto pretende reunir e destacar diferentes histórias e tecer memórias comuns. Histórias de família; vínculos de filiação e transmissão de saberes na educação familiar; as histórias de avós e avôs; eventos de bairro; histórias institucionais; as experiências passadas e presentes da comunidade; os primórdios da escola de educação infantil e seus marcos fundadores; entre outras: tudo o que fortalece um mundo comum, hoje tantas vezes violado pelos meios de comunicação.

As memórias nunca são repetição, mas reconstrução compartilhada e têm um lugar principal na formação de identidades. A memória envolve também uma relação com o futuro, na medida em que parece abrir-se a partir de certas possibilidades que se imaginam no presente e que estão carregadas de história.

Neste quadro, o dia 24 de março, aniversário do golpe de Estado civil-militar de 1976, constitui uma oportunidade para continuar a refletir e para que o compromisso da educação com a democracia seja renovado e recriado pelas novas gerações. Aos quarenta anos de democracia, enfatiza-se este processo de construção coletiva da memória que pressupõe um “terreno comum” de defesa irrestrita da democracia e dos direitos humanos.

Dessa forma, o Nível Inicial oferece múltiplas oportunidades para dar forma ao coletivo no processo de formação da memória. Sem dúvida, esse trabalho educativo ultrapassa os muros da escola de educação infantil, desafia necessariamente as famílias e a comunidade como um todo, como gerações adultas responsáveis ​​pela infância. No mesmo sentido, essa proposta preconiza o cuidado da vida em comum por meio do cultivo de uma árvore simbólica, com história, onde se estabeleçam diálogos possíveis entre a experiência da primeira infância e a marca daquilo que está nascendo de uma semente carregada de memórias compartilhadas.

História e andamento do projeto
A Árvore da Memória surgiu como uma ideia a partir da experiência realizada em uma oficina coletiva, organizada pela Comissão Memória, Lembrança e Compromisso da Facultad de Ciencias Agrarias y Florestales – FCAyF e Ciências Médicas Veterinárias da Universidade Nacional de La Plata – UNLP, da qual participaram professores/as, estudantes, trabalhadores e trabalhadoras da universidade e Mães da Praça de Maio. Nesse contexto, mães de desaparecidos de ambas as faculdades, juntamente com Osvaldo Bayer,2 plantaram uma acácia no Jardim da Memória.

Em 2020 e 2021, a Direção Provincial de Educação Inicial em conjunto com a – FCAyF, através da Unidade de Viveiro Florestal, realizaram um trabalho conjunto para levar sementes e mudas da Árvore da Memória a cada jardim de infância. Uma árvore que esteja acompanhada de roteiros educativos e dê sombra a meninas e meninos num gesto coletivo de cuidado e cultivo.

Toque de Mudas

No marco do dia 24 de março de 2021, foram cultivadas e entregues 600 mudas, em conjunto com inspectores e equipes de gestão, aos 135 distritos da província e foram colhidas 6.500 sementes para 3.000 jardins de infância.

Desde 2022, a proposta pedagógica de cultivo da memória tem sido ampliada, articulando o processo de colheita, produção e distribuição de mudas com a Direção Provincial do Ensino Superior (DPES) e a Direção de Educação Especial (DEE) da Divisão Geral de Cultura e Educação (DGCyE). Essa experiência adquiriu uma dimensão formativa e um carácter de articulação entre níveis e modalidades.

Os professores e professoras em formação participam da colheita dos frutos, do beneficiamento das sementes, da semeadura e transplante das mudas e da distribuição, marcando uma forma de inscrição da memória como prática pedagógica fora de qualquer concepção reducionista.

Por fim, no período de 24 de março de 2022 a 2023, foram cultivadas e entregues 1.000 mudas e colhidas 8.500 sementes, repetindo e ampliando o alcance dos anos anteriores. Dessa forma, consolidou-se a proposta, substituindo a muda onde o cultivo não foi bem-sucedido, compartilhando com outros níveis e outras modalidades na busca de garantir árvores de memória em cada um dos estabelecimentos de ensino do Nível Inicial de gestão estadual.

Cada árvore e semente percorreu roteiros de leituras literárias que são detalhados a seguir e que tem, como símbolo, as avós na literatura.

Colheita de sementes

 

As avós na literatura
Itinerários de leitura literária: “Entre avós, memórias e infâncias”
A Árvore da Memória viaja acompanhada de roteiros de leitura, “Entre avós, memórias e infâncias”, que propõem trabalhar a literatura na Educação Infantil. Consiste em situações que envolvem leituras de literatura infantil, considerando meninas e meninos sujeitos ativos no processo de construção de narrativas de memória. Dessa forma, é possível enriquecer o seu mundo simbólico com as histórias que a literatura oferece e que trazem histórias protagonizadas pelas avós.

Os itinerários supõem, seguindo Michèle Petit (2006), um convite a pensar que a leitura é um espaço de construção da identidade pessoal, uma experiência que pode modificar destinos, fazer-nos hesitar e abalar as nossas certezas, os nossos pertences, e revelar-nos o desejo de chegar a um porto onde ninguém nos espera.

Com inspiração nessas ideias, os/as professores/as são convidados/as a organizar roteiros de leitura de histórias e poemas que tenham as avós como protagonistas (avós na memória, avós clássicas, avós de ontem, de hoje e de sempre, avós divertidas, entre outras possibilidades) com o objetivo de aproximar meninas e meninos de diversos discursos que aludem, complementam e ampliam o vínculo com o universo ficcional pelo valor que este tem, e que se afastam, assim, do uso instrumental da literatura como “desculpa” para abordar outros conteúdos.

Esta proposta enfatiza a participação de meninas e meninos em comunidades de leitores que permitam resignificar cenas, temas, personagens e situações desafiadoras. Também compartilha coletivamente histórias que nos convidam a elucidar as formas de contar, de dizer, de não dizer e abordar questões como a memória, a filiação, o gênero, o legado intergeracional, os papéis comunitários das avós, por meio do mundo ficcional.

Do ponto de vista da didática específica – da leitura no Nível Inicial – pode ser organizada como um percurso por situações comuns de leitura literária, onde se privilegie que meninas e meninos ouçam o/a professor/a ler e comentem coletivamente sobre o que foi lido.

A formação de leitores e leitoras no campo da literatura supõe contar com oportunidades variadas de acompanhar autores e autoras, personagens prototípicos, confrontar versões, temas, entre outras possibilidades. Nesse caso, propomos ler, com uma perspectiva particular, a forma como as avós são apresentadas como personagens centrais em algumas histórias. Histórias de avós que esquecem e lembram, que perseguem monstros, que param as enchentes, que brincam no jardim de infância, que fazem bonecas, que inventam “analgésicos” para consolar, que contam histórias, que são feitas de “carne e osso”, que possuem poderes mágicos, que se transformam em robôs, que enfrentam lobos, que lutam pelo direito à identidade, pela memória, pela verdade e pela justiça. As possibilidades são muitas e diversas.

Estas histórias multiplicam os seus significados quando chegam às meninas e aos meninos por meio do trabalho artesanal da professora e do professor que os convida à leitura: “Crianças, durante vários dias vamos ler histórias e canções que contam histórias de avós” (…) “ Anotamos os títulos num diário de leitura onde marcaremos os que já lemos” (…) “Vamos para o pátio, debaixo da árvore, ler a primeira história da avó” (…) “O que vocês acham de começamos com…?” (…) “Continuamos com mais uma história sobre uma avó” (…) “Hoje vamos ler uma história linda que nos fará pensar na memória” (em referência ao conto “A omelete de batata”), etc.


JIRIMM 1 Sant Fernando

Por outro lado, considera-se que podem ser construídos valiosos cenários de leitura em cada jardim de infância, para além das salas e espaços interiores normalmente utilizados. Os pátios, a sombra das árvores, o terreno coberto por sementes e mudas da Árvore da Memória e o ar livre podem se tornar espaços agradáveis ​​onde essas lindas histórias de avós e tantas outras se entrelaçam com o aconchego do ambiente.

A proposta pressupõe que os/as professores/as considerem algumas condições didáticas: que histórias ou poemas selecionar, em que ordem serão lidos, como apresentarão o percurso às meninas e aos meninos, com que frequência serão realizadas as leituras, ler cada história ou poemas sem interrupções e de forma completa para poder acompanhar o fio da história, planejar quais intervenções serão feitas para estimular trocas coletivas sobre o que foi lido (permitir silêncios, selecionar quais fragmentos reler, quais perguntas fazer, etc.). Dessa forma, é possível acompanhar meninas e meninos para sustentar a escuta, manter os personagens em mente, desenvolver e sustentar a relação entre eles/as ao longo da história ou entre histórias, etc.

Ou seja, os itinerários de leitura “Entre avós, memórias e infâncias” são pensados ​​como um ofício minucioso de ler e relembrar, como uma oportunidade de recuperar o cotidiano transformado em histórias, como diz María Teresa Andruetto (2021), e a partir daí, traçar possíveis cruzamentos entre realidade e ficção.

Por fim, com o propósito de colaborar com os critérios de seleção dos textos, sugerem alguns títulos, tendo em conta que uma lista nunca é exaustiva e que cada professor/a pode enriquecê-la considerando os percursos de leitura percorridos pelo seu grupo de meninas e meninos. Foram escolhidas várias histórias de avós que nos farão refletir, sorrir, comover, imaginar… Histórias de diferentes épocas, tradições e culturas que nos convidam a manter viva a memória das gentes. Dessa forma, cada escola de educação infantil teve uma lista de propostas.

Algumas considerações
Cultivar a Árvore da Memória, contar e ler histórias das avós, realizar desejos com meninas e meninos com suas famílias representa uma verdadeira oportunidade de aprendizagem na educação infantil. Sem dogmatismos, oferece uma paleta pedagógica de possibilidades para o trabalho educativo no presente, forjando o futuro.

A Direção Provincial da Educação Inicial pretende abrir caminhos, ligando as gerações de novos matriculados com os/as alunos/as que já estão em serie mais avançada. Sabemos que meninas e meninos – como expressa Walter Benjamin – nunca estão subordinados às realidades externas, mas abrem-se ao diferente para recriá-lo e transformá-lo.

A memória como imagem do passado, sugere Elizabeth Jelin, é carregada de contemporaneidade. O presente infantil desafia-nos, ao mesmo tempo que nos convida a assumir a responsabilidade pedagógica da transmissão. Se a memória está ligada à continuidade de significados entre gerações, a transmissão de experiências traumáticas na história recente coloca-nos perante a necessidade de contar histórias, a necessidade de uma pedagogia da esperança.

40 anos depois da democracia, o cultivo da Árvore das Avós amarra, une e projeta a escola pública como um território de paz que oferece às crianças a possibilidade futura de se reconectarem com suas heranças. É uma política em movimento, que inclui práticas, conhecimentos, tentativas, erros, mas também com milhares de sementes plantadas, árvores crescendo, infâncias que dialogam com a oportunidade de um (outro) começo.

Profesor Luciano Roussy, Asesor Dirección Provincial de Educación Inicial DGCy E
Professora Patricia Redondo, Directora Provincial de Educación Inicial DGCyE

Notas:
1. Província, na Argentina, corresponde aos estados no Brasil.
2. Osvaldo Bayer (1927-2018) Foi escritor e jornalista argentino.

Referências bibliográficas
Andruetto, M. (2021). Extraño oficio. Penguin Random House.
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Dirección Provincial de Educación Inicial. (14 de marzo de 2022). 24 de marzo, Día nacional de la memoria por la verdad y la justicia. Dirección General de Cultura y Educación. Continuemos estudiando. Recuperado en marzo de 2023. https://continuemosestudiando.abc.gob.ar/contenido/recursos/24-de-marzo-dia-nacional-de-la-memoria-por-la-verdad-y-la-justicia-los-cuentos-prohibidos?niveles=inicial&u=622f5e6770dbd2656cfb69ad
Hassoun, J. (1996). Los contrabandistas de la memoria. Ediciones de la flor.
Jelin, E. y Lorenz, F. (comps.). (2004). Educación y Memoria:
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https://www.argentina.gob.ar/sites/default/files/2022/03/las_abuelas_nos_cuentan_cuaderno_docentes.pdf
Petit, M. (2006). Lecturas: del espacio íntimo al espacio público. Fondo de Cultura Económica.
Todorov, T. Los dilemas de la memoria. Conferencia magistral en Cátedra Latinoamericana Julio Cortázar. Universidad Nacional Autónoma de México. Unidad de Guadalajara
Documentos e materiais pedagógicos produzidos
pela Direção Provincial da Educação Inicial
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[@direccionprovincialdeeduca2056] (2 de septiembre de 2021). Paso a paso para la siembra de las semillas del “Árbol de la Memoria”. Youtube. https://www.youtube.com/watch?v=u2ul8tudTYY&t=24s
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Dirección Provincial de Educación Inicial.
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https://abc.gob.ar/secretarias/areas/subsecretaria-de-educacion/educacion-inicial/educacion-inicial/documentos-pedagogicos

Equipe de trabalho
Produção
Patricia Redondo
Ana Malajovich
Luciano Roussy
María del Carmen Reinoso
Adriana Serulnicoff
Florencia Stáffora
Inés Rodríguez

ilustrações
Estrato Comunicación
Florencia Stáffora

Design editorial
Celeste Mazzariol

Colaborações:

Subsecretaria de Educação
Validación pedagógica: Marina Paulozzo, María José Draghi
y Juliana Ricardo

Conteúdos educativos: María José Bonavita y Matías Causa

Comunicação: Sabrina Larocca y equipo de trabajo

Gestão de publicações: Inés Gabbai y Gabriel Bruno
Equipe do Direcção Provincial de Educação Inicial:
Elisa Castro, Natalia Bonavita, Diana Paolini, Patricia Kaczmarzyk, Silvina Mazzoleni, María del Carmen Gómez, María Cristina Fernández, Gabriela Negri, María del Carmen Rímoli, Graciela Merino, Laura De Miguel, Liliana Labarta, Esdenka Sandoval, Marcela Ventura, Anabel Cadario, Ester Viglieti, Adriana Bello y Daniela Zabaleta.

Direcção Provincial de Educação Superior
Marisa Gori

Direcção Provincial de Ensino Técnico Profissional
Ricardo De Gisi

Direcção de Educação Especial
Sebastián Urquiza

Provincial Diretoria de Comunicação
Carla Tous y equipo de trabajo.

Equipe de inspetores dos bairros La Plata, Berisso, Ensenada Florencio Varela, Berazategui, Morón, Merlo, Saladillo, Lobería y todos los distritos que acompañan desde el inicio esta propuesta.

Equipe do projeto de extensão “A árvore das avós: filiações e memória”. Facultad de Ciencias Agrarias y Forestales – Universidad Nacional de La Plata: Valentina Fernández, Pablo Sceglio, José Vera Bahima, Mónica Paso, Mauricio Walsh.

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